Bia Perlingeiro

NOSSA ETERNA BIA

Jardim da Bia (vídeo)

Iniciativa dos alunos da Multiarte, que de forma simbólica, produziram através de várias técnicas como desenho, origami, tecido, poesia… uma flor. Para no futuro poderem reunir todas as flores onde ela mais amava, no jardim da galeria.

A Morte Não É Nada

A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me deem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

(Santo Agostinho)

Depoimentos

“Bia Perlingeiro traçou um caminho muito importante no cenário das artes visuais no País. Sua contribuição como mantenedora e facilitadora de diversos grupos heterogêneos de estudo e reflexão das artes plásticas trouxe muitos frutos. As exposições e publicações que coordenou, juntamente como marido MaxPerlingeiro, foram marcadas pela extrema qualidade. Levou as artes aos quatro cantos, influenciando uma geração de artistas e demais profissionais do segmento. Sua doçura e leveza marcaram.”

Ricardo Bacelar, cônsul da Bélgica e pianista

“Era uma mulher visionária, delicada e cuidadosa com todos a sua volta! Nada passava despercebido do seu olhar, sempre atento e coberto de empatia e gentilezas. Bia formou uma rede de pessoas que pensam e fomentam a arte aqui no Estado do Ceará, incentivando os estudos, as conexões e os artistas. Vai nos fazer muita, mas muita falta como amiga sempre fiel, e como articuladora de possibilidades na arte e na cultura.”

Adriana Helena Moreira, gestora do Espaço Cultural Unifor

“Neste ano, Bia Perlingeiro estava cheia de planos para fomentar o trabalho dos artistas cearenses. Sempre foi muito generosa com os artistas daqui, sempre fez muita questão de ajudar. Eu não conheço uma pessoa em Fortaleza que tenha feito mais pela arte. Era a vida dela, ela queria criar público para a arte na cidade. Bia era extremamente participativa, sempre estava a par do que acontecia nos projetos da Multiarte, fazia a programação, dava ideia e cobrava muito agente.”

Sérgio Helle, artista plástico

“No começo de 2013 fui chamada para uma reunião na galeria Multiarte.
Era uma proposta nova da galeria, – de iniciar um grupo de estudo em arte.
Bia estava procurando uma pessoa para coordenar esse primeiro grupo e consultou uma amiga em comum, bem próxima, Ana Cristina Mendes, que por sua vez me indicou.
Na reunião, de imediato, chamou a minha atenção o carisma da Bia. Ela conseguia conciliar a força e a delicadeza de uma maneira que depois descobri ser única, uma característica bem dela: ser firme e gentil.
Ao longo desses 7 anos vi outros grupos florescerem, outros professores e alunos chegarem, vi a galeria ter um movimento contínuo de afetos, abraços, belezas e tudo jorrava junto e misturado no grande encontro de fim de ano.
Bia planejava tudo: cada detalhe, cada cor, cada textura, aroma e sabor para que tivéssemos uma experiência ao entrarmos na Multiarte.
Propiciar a felicidade das pessoas era uma marca dela.
Cuidava de tudo como uma mãe amorosa cuida dos filhos.
Eu aprendi muito com ela, uma mulher forte, inteligente, visionária.
Ela amava o ser humano e sabia como a arte é importante para a humanidade, daí os grupos serem também um projeto para a cidade.
Estava em seus objetivos possibilitar um contexto social rico, no qual a arte chegasse pra todos e ela a todos recebia.
Ao longo desse tempo, como professora nos grupos, acompanhei a importância da Bia na vida das pessoas, ela dava assessoria para o que precisassem no estudo da arte, sempre com muita atenção e carinho. Engajada em projetos sociais, fomentando um futuro melhor para todos. A saudade é grande e a gratidão maior ainda, por ter convivido com ela, e aprendido um tanto de coisa, a cuidar dos detalhes, e ter noção de que preparar as condições para que o mundo seja melhor é uma responsabilidade de todos e que ela fez isso magistralmente.”

Ana Valeska Maia, mediadora e professora dos grupos de estudo

“Conhecemos e convivemos com a Bia, e podemos testemunhar  — Maria (minha esposa) e eu — da sua grandeza humana, e da intensidade com que ela se dedicou às artes, à sua família e aos seus amigos.

Junto com o nosso querido amigo Max ela formava uma das duplas mais competentes, mais dinâmicas, mais apaixonadas pela Arte brasileira em suas galerias de Fortaleza, Rio e São Paulo, onde promoveram importantíssimas exposições, sempre impecáveis em seus menores detalhes.

Tive oportunidade de conhecer e participar de reuniões de grupos de estudo na Galeria Multiarte idealizados e promovidos pela Bia, que congregava em torno de si profissionais não só das artes, mas também de outros setores, que ali se entregavam de corpo e alma à História da Arte, e suas ramificações, com a importante participação de seu filho Vitor.

Maria (minha esposa) sempre me dizia que Bia a fazia  se lembrar de minha mãe, por ter sido o braço direito e grande companheira do Max, como minha mãe o foi para meu pai. A Arte brasileira deve muito à Bia, assim como também seus amigos, tocados por sua mão sempre generosa, sensata e entusiasmada.

Estamos desolados com essa perda tão precoce, e sentindo a dor da sua família.

Que os anjos nos protejam a todos”.

 João Portinari, filho de Candido Portinari

“Um agradecimento eterno à nossa querida Bia que sempre se dedicou à arte cearense. Sua atenção e delicadeza com as pessoas formaram um grande legado para a construção das relações no nosso circuito de arte. Ela foi uma grande incentivadora de artistas e acreditou no potencial de cada um na sua singularidade. A presença de Bia emanava uma alegria que se revela no seu jardim de flores e pessoas sempre tão bem cuidadas e cultivadas. O que Bia construiu com os grupos de estudos ficará marcado na formação em Arte de Fortaleza, do Ceará e além. A sua luz continua aqui, a nos iluminar!”

Carolina Vieira, pesquisadora e mediadora dos grupos de estudo

“Era uma pessoa feita de bondade, beleza, sensibilidade, inteligência. Parecia uma luz dourada. Tinha o coração cheio de afeto e espalhava alegria. Fazia um trabalho magnífico de conscientização pelas artes com seus cursos e rodas de conversas, sempre criativos e de altíssima qualidade. Plantou sementes muito fortes. Saudades da Bia”.

Ana Miranda, escritora

“Devemos muito a Bia. Ela tem um papel fundamental na arte cearense nos últimos 32 anos. Com sua delicadeza, discrição e larga intuição, contribuiu para um salto qualitativo na apreciação da arte em Fortaleza.”

Dodora Guimarães, curadora de arte e presidente do instituto Sérvulo Esmeraldo

“Acaba de falecer por coronavírus Bia Perlingeiro. Ela era uma pessoa alegre, sensível e muito inteligente. Eu a conheci em Fortaleza, junto com o filho Victor e Max, meu amigo de longa data. Bia adorava arte, conhecia muito sobre esse universo e era extremamente generosa diante de todos que a procuravam. Uma pessoa alegre, sensível e inteligente. Que a família fique com a boa memória e não com a lembrança de seu sofrimento. Deixo aqui minha homenagem fazendo uso de uma poema de Drummond:

A um ausente.
Tenho razão de sentir saudades,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas. (…)

Mesmo profundos sentimentos pela perda da Bia e de todos aqueles que não estão mais conosco por conta do coronavírus. Minha solidariedade à família e a todas as famílias enlutadas. Estamos todos de luto.”

Lilia Schwarcz, historiadora e antropóloga

Viver é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.” Vinicius de Moraes.
“Bia Perlingeiro era múltipla, mas agora posso dizer, infinita. Ela plantou em nós muitas coisas em todas as esferas da vida, no entanto, focarei aqui uma parte, seu trabalho, sua realização. A Galeria Multiarte, uma extensão de si. A arte era seu dia a dia, a galeria é também as pessoas tocadas pela alquimia dos materiais e das imagens possíveis que a arte proporciona. Ao longo de sua vida, foi, passo a passo, construindo uma forma de proporcionar a todos uma experiência única de arte que dissesse ainda mais sobre a vida e os significados que ela poderia apresentar. Passando por Bia, cada um poderia imaginar a marca que gostaria de imprimir nessa vida. Queria que todas as pontas da vida fossem ligadas, que as pessoas conhecem os processos artísticos de todas as esferas e assim fazia, pouco a pouco, o bordado da doação, integrando espaços e articulando pessoas no caminho da arte.

A atmosfera bem cuidada do espaço expositivo, das salas dos grupos de estudos e das proposições dos encontros e falas para produção de pensamento era desdobrada em seu jardim de orquídeas. Ao entrar nele, todos ganhavam o espaço livre do céu ao mesmo tempo que eram imantados pelas orquídeas. Bia era tão linda como suas orquídeas, a flor mais delicada do nosso jardim, a quem reservamos o cuidado diário porque, repentinamente seremos tomados pela magia e o encanto do desabrochar de suas flores. Delicadas, porém firmes. Lição das orquídeas: incansavelmente, Bia renascia a todo momento. Como se tivesse pressa de viver, explicava minuciosamente para o outro o que queria dizer. Só parava quando um projeto estivesse pronto e, como suas orquídeas que nunca morriam, tinha uma disposição contínua para o viver. E Bia, como a presença bela, amorosa e misteriosa de suas orquídeas, ficará para sempre em nosso coração.”

Ana Cristina Mendes, artista visual

TV Globo | RJ

A historiadora foi diagnosticada com pneumonia dupla. Segundo a família, ela testou positivo para Covid-19. Exibição em 4 Abr 2020.

Discípulos de Bia

Diário do Nordeste

Despedida e homenagem

O Povo

In Memoriam

É com imenso pesar que a Galeria Multiarte lamenta e solidariza-se com os familiares e amigos pela passagem de Ana Cristina Martin e Gladia Girão, nossas amigas e participantes dos Grupos de Estudos. Nesse momento delicado desejamos força e serenidade para suportar esse momento tão difícil.

Ana Cristina Martin

Gladia Girão